O melhor e o pior de BSB

O melhor e o pior de BSB

Gastronomia é comer olhando para o céu. (Millôr Fernandes)

28/12/11

28/12/11 - ROMA

Esse post pode ser facilmente aceito como minha carta de suicídio. Sim, estou preparada para levar ferro por este texto.

Não sei se serve de consolo, mas me sinto péssima de estar escrevendo essas palavras. Me sinto invadindo um asilo e derrubando na porrada todas as bengalas e muletas que encontrei pela frente, levando ao chão seus proprietários - senhores de muito respeito.


Entretanto, tenho um compromisso com o que é colocado aqui. Compromisso de avaliar o mais imparcialmente possível minhas experiências gastronômicas, e minha experiência no clássico, tradicional, super brasiliense, Roma, não foi muito legal.

Sem dúvida, a visita é uma viagem no tempo. Só lembro de ter ido ao Roma quando era criança, e uma única vez. Não lembrava que aquela porta levava a dois salões que se estendem até o fundo, utilizando todo o espaço predial.

A mobília tem cara de que parou nos anos 80. Os garçons, alguns sérios e outros simpáticos, porém, todos ágeis e solícitos, também têm cara de que trabalham lá há anos.

Fui no sonhado rodízio de Parmegiana. Sim, um rodízio de filé e frango à Parmegiana, pelo preço fixo de R$ 34,90. 

Até agora não entendi 100% a proposta, mas a ideia é pedir o filé ou frango (hello, fomos de filé, né?) acompanhado de talharim, nhoque, spaghetti ou ainda arroz e purê de batata. Digo que não entendi porque não sei se dá para pedir primeiro uma massa, depois o arroz e ir trocando todos os acompanhamentos. Mas isso nem é relevante pois, com aquela quantidade, é impossível comer de tudo.


Essa escolha aí talvez tenha sido nosso grande erro. Fomos de massa, e aquela massa ainda pertence, também, aos anos 80. Talvez nem isso, pois qualquer supermercado hoje tem uma massa de qualidade melhor. Qualquer restaurante, até o Primo Piato, serve um talharim que não se parte todinho ao passarmos o garfo, de tanto que ficou na água. E o molho deve ser comprado no atacado junto com a Pizzaria Dom Bosco, a qual, diga-se de passagem, eu adoro, mas é azia na certa para quem tem o estômago minimamente suscetível. Eu, que tenho estômago de avestruz, saí meio mal de lá.

No final das contas, o filé é muito bom. Fartíssimo, filé de verdade, com a 'casquinha' da milanesa bem boa e queijo. Mas tudo naquele molho. E, tipo, não dá para comer mais de um e meio daquele filé - e isso, dispensando-se todos os outros acompanhamentos. Tá certo, homens profissas como o André conseguem comer dois.

Valeu ter ido para finalmente conhecer, mas a casa podia dar uma corrida no tempo e se beneficiar de produtos de qualidade disponíveis hoje. De resto, em termos de serviço, e até o clichê do jeitão antigo do local, a casa é intocável.

PS: o lugar tava muito escuro e o IPad não tira fotos boas sem luz, então devemos registros fotográficos para vocês.  A foto é emprestada de: http://www.viajandonomundo.com.br/wp-content/uploads/2011/05/restaurante-roma-interno-brasilia-df.jpg

NOTA DO BLOG: NÃO ROLA (desculpa, desculpa, tô morrendo por dentro)
DICA DO BLOG: cara, evite as massas. Acho que aqueles pratos clássicos, tipo filé grelhado com arroz à grega, ou o filé de abadejo, podem render experiências válidas.
Serviço: CRS 511, Bloco B, telefone 3346-4030.
14 comentários

Postado por *Lulu Peters* às 16:02

14 comentários:

r! disse...

Tem mesmo que ter um pouco de coragem para falar mal de um "clássico", mas vc está certíssima. Os restaurantes não podem viver para sempre da fama do passado, não estamos mais em 1966, onde as pessoas não tinham outra opção. Qualidade é fundamental.

Aline Marilac Gabeira disse...

EU adoro o roma e seu cardápio fartíssimo! Mas sou orbigada a concordar com você sobre a massa. Fomos eu e meu marido, e como ele não come carne vermelha, foi de frango. Pedimos todos os acompanhamentos, e te garanto que é melhor ficar com o tradicional pure e arroz para acertar. Enfim, Lá é um bom lugar pra comer filé a parmwgiana naqueles dias de desejo absurdo.

Vanessa disse...

Ah, Lulu, você foi fofa. Até elogiou algumas coisas.
Fui lá apenas uma vez e já adulta. Achei bom. Nada demais. Levei a impressão de que o restaurante sobrevive de história.
O que me impressionou mesmo foi uma senhora sentada na mesa da frente comendo, sozinha, um galeto inteiro. Sim, sozinha, um galeto inteiro. Parecia cena do Chaves, sabe? Acho que também por isso nunca mais voltei lá. Fiquei com medo.
Beijocas e Feliz 2012!!!

Eric disse...

Requentando no microondas uma velha frase, do tempo do Caesar: "quem tem boca, vaia Roma", rs. Assim que meu meu médico me liberar para carnes vermelhas, muçarela e gnochi, eu parto para o desafio do filé ao molho Dom Bosco, rs.

Alan Souza disse...

Lulu, sinta-se melhor! Nada de errado em escrever a verdade, principalmente em se tratando de falar a verdade para o nosso único desejo recorrente (a fome).

Se lhe serve de consolo, acho que os mitos servem pra desfeitos mesmo.

Eu, que sou cervejeiro, senti exatamente isso que você sentiu ao escrever esse post, quando percebi que um mito da minha terra natal (Belém do Pará) se ia: a Cerpinha, a afamada e outrora deliciosa cerveja pilsen da Cerpa, que já foi considerada uma das dez melhores cervejas do Brasil, tornou-se um caldo aguado e sem personalidade...

Mas o caso do Roma ainda é fácil de resolver, é só investir um pouquinho em qualidade dos produtos. Nada que um cursinho no Sebrae, Google e boa-vontade não resolvam.

*Lulu Peters* disse...

Valeu pela força, gente!

Pelo menos não estou com receio de alguém me bater na rua por isso! kkkk ;-)

Déia Barros disse...

Lu,é com o coração partido, moído e dolorido que concordo com vc... O Roma já foi... apesar de clássico, sobrevive da fama do passado. Fecho contigo. Bjks

Martuchelli disse...

Concordo totalmente com vc. Fui lá 2x nos últimos 06 meses. Considero o local como um quebra-galho. Eles poderiam dar uma melhorada no lugar e nos ingredientes mesmo mantendo o ar anos 80 que eu acho muito gostoso.
Agora, aquele parmesão ralado de quinta categoria é fogo!

Mari Ceratti disse...

O Roma merecia totalmente uma revitalização. Aliás, como a W3 inteira...

rchia disse...

Fui ao Roma pela primeira vez também recentemente e não gostei. Quer dizer, gostei da comida - simples, porém saborosa e bem servida -, mas uma conta de quase R$ 90 para um casal por uma comida quase de botequim (sem qualquer desmerecimento!) me parece fora do razoável.

Anna Claudia Stein disse...

Lulu, tu é minha ídola!!! Corajosa demais! Fui ao Roma nem sei quando porque o pai do Hilmar amava. Não gostei de jeito nenhum. Acho que eles sobrevivem porque não pagam aluguel. Só pode. Até os clássicos precisam ter qualidade para sobreviver aos tempos...bj

andre disse...

Concordo com você em parte. A massa e o molho realmente deixam a desejar. E eu digo isso com propriedade porque a minha falecida avó fazia a massa do macarrão em casa e depois cortava as tiras do spagethi em uma espécie de "viola" (passava levemente o rolo da massa só para ajudar no corte). O molho ela também fazia com tomates frescos, muita salsa e outros temperos que infelizmente não me recordo. Até hoje não comi igual e olha que vim de São Paulo, onde morei 10 anos. Sobre o filé: é alto e bem feito - legítimo filet mignon. A parte que discordo do seu texto: a mobília é um pouco antiga, mas acredito que isso tenha a ver com o ambiente e com a ideia de tradição. Não são cadeiras desconfortáveis, afinal. Muitas cantinas do Brás e do Bexiga em São Paulo possuem estruturas semelhantes ou inferiores (com relação à mobília) e nem por isso deixam de ser bem frequentadas. Creio que esse é o caso do Roma aqui em Brasília.
Para finalizar: parabéns pelo blog. Muito bom.

Abraço,

André

Mirella disse...

Lulu, tive a mesma impressão quando voltei ao Roma no final do ano passado, o molho é estranho parece ter vindo direto de uma latinha!! Falei para a família e todos discordaram, como se eu estivesse sendo crítica demais com o bom e velho roma!!! Guardei para mim! Que alívio ver que não fui só eu! rsrs
Achei super caro também!
Clássico por clássico prefiro o San Marino!
bjs

Marina Delphino disse...

Cara Lulu, sempre que vou conhecer um restaurante novo (pra mim)tento buscar a sua opinião aqui no Blog (que sempre deu muito certo!). Ontem, por falta de tempo, fui ao Roma sem buscar a crítica! Ahhhh, quanto arrependimento!Fui de filé à parmegiana (que serve duas pessoas) e achei muito simplório! Sim, vem acompanhado de muito arroz e batata frita, mas achei o filé não tão bem servido. No beirute você come um filé melhor em qualidade, quantidade e preço (Roma = 72.90 serve apenas 2 pessoas sem muita fome / BEIRUTE = 60.00 serve até 3 pessoas e mais gostoso)!
Não volto no Roma!
E concordo que não estamos mais em 1966, onde as pessoas não tinham outra opção. Qualidade é mais que fundamental, ainda mais com o preço que eles cobram!

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