Primeiramente, Salaam Aleikum e parabéns ao Lagash.
Segundamente, hoje, vocês vão ter que me engolir, porque vou escrever muito, e mais sobre a noite como um todo do que sobre gastronomia. Simplesmente porque a noite foi uma experiência complexa, multifacetada, ainda que única. Enfim.
Na minha preparação para meu primeiro grande evento de grátis, pensei em usar uma roupa fantástica, chique, porém descolada, que me deixasse mais alta, magérrima e rhyca, mas, infelizmente, não encontrei essa peça no meu armário e acho que o estoque dela tinha acabado na C&A (ia procurar na Marisa, mas resolvi subir o nível). Então, lá fui eu, vestida de gente normal, só meio alta, meio gorda, meio pobre, ao lado da Nina que é um poço de elegância.
Mas tudo bem, porque, ao chegar lá, me senti a mais badalada das criaturas. Nina a tiracolo, fomos dar uma voltinha para tentar achar, na sorte, a queridíssima Melissa Luz - ninguém menos que a pessoa responsável pelo meu convite.
Quando uma simpática loira me olhou empolgada, pensei “é ela!”, e corri pro abraço, dizendo “Meliiiiissssa, minha amiga, obrigada!”, ao que a loira respondeu: “sou a Eliane, tudo bem? Seja bem-vinda”. Anrã. E a “Eliane” é somente uma das mais competentes e phodas assessoras de imprensa da área de gastronomia. Mas ela perdoou meu vacilo e me apontou em direção à verdadeira Melissa, a quem agradeci de verdade e descobri ser, realmente, uma fofíssima.
Resolvemos, então, agarrar uma mesinha alta, de dois lugares, lá na ponta, para podermos fumar sem levar uma olhada with lasers da galera saudável. O vinho: UXMAL, Cabernet Sauvignon, 2008, Mendoza. Delícia, ácido, mas não adstringente – uma diferença que aprendi com o Guilherme – em perfeita sintonia com aquele buffet.
Fatias finíssimas de pernil defumado, acompanhado de um creme com consistência de maionese, sendo, na verdade, uma deliciosa coalhada, salpicada de pistache e uvas passa. Perfeita harmonia com o pernil, um acentuando o sabor do outro. Match made in heaven.
Mini esfirras de carne, com massa folhada aberta, mini quibes assados, fritos e crus, tabule, babaganush, homus, abobrinha frita, berinjela, tudo, tudo à perfeição. Tudo impecável. Me arrependi de não ter levado uma bolsa gigante para ir jogando uns quitutes dentro. Brincadeira, gentem, não faço isso, não, tá? Podem continuar me convidando!
De sobremesa, serviram um arroz doce com sorvete e um outro creme branco. Desculpem, não sou fã de doce, então, não registrei bem a receita.
Os garçons Tião e Nei foram uns anjos. Mas, gente, me mata: um simpático senhor veio nos cumprimentar logo quando estávamos sentando, ainda aturdidas, depois de cumprimentarmos a proprietária do Lagash, nossa íntima, Fátima. Um doce. O simpático senhor apertou nossas mãos e disse que só queria nos cumprimentar mesmo, pelo mérito do cumprimento. Lindo. Ficamos com aquela cara monga, sorrindo para o nada, ainda meio perdidas. O senhor se virou para ir embora e eu – que sequer tive a capacidade de dizer meu nome na hora do cumprimento – reconheci o simpático senhor, que se chama Francisco. Sim, ERA SÓ O DOM FRANCISCO E EU NÃO TIVE A CAPACIDADE MENTAL DE PRONUNCIAR MEU PRÓPRIO NOME, PORQUE APARENTEMENTE NÃO SEI SACUDIR A MÃO E FALAR AO MESMO TEMPO.
Eu chorei, mas só por dentro. Por conta desse trauma, um erro e uma injustiça serão sanados: texto sobre Dom Francisco vem aí, pelas mãos da Nina, finalmente!
De resto, a noite foi linda e ótima, cheia de risos, vinho, comida boa e gente simpática e atenciosa – tudo o que um foodie hedonista quer da vida. Por isso quis muito contar para vocês. Só pra compartilhar...e agradecer! Sim, porque os leitores fazem tooooooda a diferença deste humilde blog. Afinal, blog de comida tem de monte, mas o meu é dos poucos em que a galera troca dicas e idéias, diariamente. Pelo menos até agora. Quando vocês provavelmente me abandonarão, porque fiquei “falando” igual a uma matraca louca. Bom, galeura, tô devendo um coquetel maneiro para vocês! Pode ser um trio Viçosa repartido?
Beijos