O melhor e o pior de BSB

O melhor e o pior de BSB

Gastronomia é comer olhando para o céu. (Millôr Fernandes)

10/12/09

10/12/09 - Triplex Wine Food and Fun (meio longo)

Update (outubro de 2010): Desisto do Triplex. Há limites para o mau atendimento e a comida ruim!!!
Pelamor!


Update: acho triste quando os locais só se preocupam com qualidade assim que abrem. A última vez que tentei voltar ao Triplex para um menu executivo, tive que comer no Mangai. Só isso.

Na hora de escolher um estabelecimento no caderninho do Festival Suíno, eu, Nina e outras duas amigas esbarramos no Triplex Wine, Food and Fun, localizado próximo ao lago Paranoá, lá para as bandas da terceira ponte.

O nome é um tiquim complexo demais – tanto que depois de repetí-lo muitas vezes já estavam saindo versões como “triple sec fudenfan” –, mas a proposta descrita de lombo de porco recheado, acompanhado de purê de mandioquinha ao queijo e baião de dois especial, por R$24,90, foi suficiente para nos deixar curiosas.

O caminho, para quem já foi ao Mangai ou ao Gazebo, não tem muito mistério, mas o problema é que chegando lá, demos de frente com um prédio comercial todo fechado, escuro, com uma faixa dizendo “triplex wine food and fun”. Ficamos sem entender se estava fechado e, pior, se o local era uma sala comercial com 0% de charme, até que eu ouvi uma música do lado oposto do prédio. “Ah, deve ter um estacionamento pela “frente””. Demos uma volta completamente inútil de carro até descobrir que, de fato, deveríamos estacionar “atrás” do prédio e ir andando até a frente. Então, nota para casa: aquelas pessoas que nunca passaram por lá vão ficar um pouco desorientadas sem uma referência ao estacionamento ou ao fato de que a casa fica do lado oposto a este.

A recepção calorosa e a decoração meio oriental e de cores escuras, mas aconchegante, nos animou. O local, de fato, é um “triplex”, constituindo-se do andar térreo amparado por uma deliciosa varanda, um mezanino, com lounge, mesa de jantar e um balcão virado para o lago, e, por fim, um terraço gigante, maravilhoso, com um teto retrátil (!) e uma fantástica vista da terceira ponte. Ficamos no térreo mesmo, por conta do frio.

Eu tenho que dizer que a decoração é realmente insana. Tem barroco, oriente e contemporâneo tudo misturado, beirando o kitch, mas talvez isso torne o ambiente mais interessante para alguns.

Bom, vamos aos comes e bebes. Todos os drinks clássicos, incluindo Cosmo (R$21,00! Achei muito caro), Dry Martini (R$15,00 – acima da média de preço também), Manhattan e Mojito, entre vários outros. O Cosmo não foi feito com suco de cranberrie – o que me irrita profundamente, já que não mencionam nada, como se não desse para perceber a diferença – e o Dry teve que ser “retocado”, pois estava com excesso de vermute seco.

Dos não alcoólicos, vale provar a soda de maçã verde, incrementada com limão, hortelã e gengibre (R$7,00), além dos óbvios e necessários refrigerantes e limonada suíça.

A carta de vinhos, ampla e bem variada, apresenta preços que vão de R$ 45,90 a não-sei-lá-quantos reais. Além da harmonização padronizada que vem como sugestão no cardápio, há um sommelier no local para ajudar os indecisos na escolha da bebida.

Fomos com um maravilhoso pinot noir de Borgonha, da marca B&G, por R$ 79,00. Considerando que as casas embutem lucro bem alto nos vinhos, via de regra, foi um excelente custo-benefício.

O cardápio, conciso, coerente, com um representante de cada proteína, ofereceu pratos simples com ingredientes mais suntuosos. Camarões, peixe, pato, cordeiro e filé. Um prato ou dois, no máximo, de cada carne. A tentação foi tanta, que só uma de nós pediu o prato do festival suíno. De resto, foram penne ao brie e camarões (faixa de R$48,00), magret de pato com risoto de funghi (R$52,00), robalo ao molho de limão siciliano e arroz com amêndoas e pistache (R$34,00).

Tudo.muito.bom. O pato, em ponto impecável, com um molho agridoce simplesmente divino e o clássico risoto de acompanhamento. Um prato forte, marcante. O robalo, leve, sobre um delicioso molho cremoso à base de limão siciliano e mel, acompanhado de arroz de jasmim com amêndoas laminadas e pistache moído. O arroz, um pouquinho seco, mas nada que tirasse a leveza harmônica do prato.

O penne, ao ponto exato, com brie e camarões, é uma pedida sem erros. E o prato do festival, tenho que dizer, fantástico. Muito farto, muito bem feito, com o baião de dois com cubinhos de queijo coalho, o delicioso purê de mandioquinha e o lombo que estava ultra macio.

Para finalizar, o brownie da casa – que leva queijo na massa(!) – fechou divinamente nosso jantar. Puro chocolate, aquele gostinho de bolo “solado”, intenso, que o brownie deve ter. Aposto todas minhas fichas no happy hour no terraço da casa, que vai começar a partir de hoje (!), com um cardápio especial para o horário de verão.

O cardápio original – que sofrerá algumas mudanças mais drásticas a partir de janeiro – é assinado por Adriano Barreto. Mas é o próprio chef da casa, Edson da Silva, que assina o prato do festival e os petiscos que entraram no esquema do happy hour.

Como o local é super novo (3 meses aberto) é sempre bom chegar sem grandes expectativas, pois tudo pode mudar do dia para a noite (e em Bsb, normalmente, muda). Porém, como minha experiência como um todo foi super agradável, recomendaria a qualquer um.

NOTA DO BLOG: SHOW!! (mas temos que ficar de olho a longo prazo)  NÃO ROLA!
DICA DO BLOG: recomendaria qualquer um dos pratos provados. Principalmente, o peito de pato e o lombo do festival. O vinho é de tomar de joelhos, também.
Serviço: SCES Trecho 2, conjunto 8, loja 04. Telefone: 3226-8869
9 comentários

Postado por *Lulu Peters* às 07:47

9 comentários:

Marcelo Saboia disse...

Achei engraçado escrever sobre o 'Sabor Brasil' e vc sobre esse 'Triplex' no mesmo dia Lulu, e pensar que dificilmente quem gostar de um vai gostar do outro...mas tudo bem, cada lugar tem seu público, e tem os ecléticos!
Na França, terra do 'magret'(peito de ave, em geral pato, fatiado e mal passado), seria uma heresia servi-lo com 'risotto', uma receita da Itália, país com o qual a França tem uma imensa rivalidade gastronômica. Mas pode ser que Chefs italianos preparem pato com 'risotto', e em BSB 'risotto' é normalmente mal feito e servido com qq. coisa...mas pato + 'risotto' não é ruim não (afinal é carne + arroz e somos brasileiros!), e se o pessoal do 'Triplex' fizer bem é o que importa.
Nenhuma Casa tem mérito por simplesmente oferecer na Carta um grande vinho (até pq. geralmente cobram muito bem por isso...), o que se pode elogiar é o Serviço do vinho...
abs

***LULUPETERS*** disse...

Bom, eu adoro risoto com tudo e qualquer coisa e o magret estava, de fato, perfeitamente rosado por dentro, mal passado como deve ser.

A carta de vinhos merece elogios, pois há restaurantes que sequer apresentam opções de preço e qualidade variada o suficiente. Afinal, às vezes podemos pagar R$45,00, às vezes, 80,00, então é bom ter todas as opções no mesmo lugar...

Ah, e eu adoro o Sabor Brasil! Sempre ia lá quando era ainda mais tosquinho, antes da reforma e sempre gostei dos caldos e da atmosfera que vc descreveu! :-)

Marcelo Saboia disse...

Ok

drink.better.beer disse...

Hummm... fiquei curioso. Vou lá experimentar esse porco.

O 'Magret' de pato do Bottarga é ótimo e não é servido com risotto ;)

Marcelo Saboia disse...

Eu não quis dizer que não gosto de pato com 'risotto' amigo cervejeiro...

***LULUPETERS*** disse...

Adendo: fui no happy hour e sem chuva! O terraço é TUDO. As opções de cerveja são limitadas, e tem que ir com uma graninha para aproveitar bem, mas, para quem puder, vale muito a pena conhecer o local!

drink.better.beer disse...

Marcelo,

Eu entendi, mas escrevi só para mostrar que a abordagem do Bottarga não seria "herege", na França, como a do Tiplex. hehe

Evandro disse...

Hoje (25/09/10) fui com minha mulher almoçar no Triplex, a fim de conhecer o lugar. Gostamos apenas do atendimento. De resto, foi a pior experiência gastronômica desde que me mudei pra cá, há seis anos. O magret que pedi estava estragado e o risotto, azedo. Simplesmente impossível de comer. O robalo que minha mulher pediu estava passado, com gosto de amônia. Não bastando, os pratos, no estado em que estavam os ingredientes, atraíram um exame de moscas, o que nos incomodou muito. Devolvemos os pratos quase intocados e pedimos a conta para nunca mais voltar. Claro que deixamos registrado o nosso desagrado.

Vanessa disse...

Fui ao Triplex hj com meu esposo e mais um casal de amigos e voltamos revoltados, primeiro pq nossos pratos vieram frios, segundo pq meu prato foi o risoto de camarão, e literalmente vieram 5 camarõoes (eu contei), n comi nada... e o terceiro e mais importante o valor da conta,quase 500,00 p 1 entrada, 4 pratos, 2 sobremesas, se pelo menos o ambiente valesse a pena, mas pelo contrário... extremamente decepcionada, n volto mais e nem indico.
Vanessa

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