O melhor e o pior de BSB

O melhor e o pior de BSB

Gastronomia é comer olhando para o céu. (Millôr Fernandes)

02/07/09

02/07/09 - ZUU




Os estabelecimentos da Chef Mara Alcamin já dispensam apresentações. O Quitinete, o Universal Diner e o chiquérrimo e carérrimo, Zuu, já possuem, há tempos, clientela fidelíssima.
A casa, que está com pratos promocionais, no valor de R$ 34,90, está dando uma chance para pobres mortais, como eu, a conhecerem. O ambiente, de decoração impactante, com muito concreto e grandes e confortáveis cadeiras, tem espaço de serviço bem reduzido, com relativamente poucas mesas, como ocorre com bistrôs, por exemplo. Por conta da promoção, quase não conseguimos uma mesa a tempo, mas deu tudo certo.
De imediato, já percebe-se que os garçons estão sempre atentos e quase não utilizam a expressão 'não dá para fazer isso', que é a preferida de vários estabelecimentos da cidade. Para tudo, deu-se um jeito e até ajuda para carregar o bebê-conforto com minha filha bolotinha foi oferecida.
A entrada da casa, no valor de R$7,50 por pessoa, com direito à renovação infinita, tem apresentação estilosa e conta com pãozinho de massa de focaccia ao alecrim, bolinho de arroz ao azeite, manteiga de ervas e um queijo, cujo nome me fugiu da cabeça agora, cremoso, que combina demais com o toque de damasco, e não é o brie. Foi impossível não nos empanturrarmos com a entradinha simples e impecável.
Os pratos promocionais são de dar água na boca ainda no momento de leitura do cardápio. Foodie que se preza já começa a saciar o apetite lendo coisas como 'ao coulis de frutas vermelhas', 'flambée' e 'trufado'. Enfim, as opções eram, em termos muito básicos, as seguintes: as massas, fettucine ao Alfredo, nhoque de batata baroa e ravióli de lagosta; os regionais eram o bobó de camarão, baião de dois com costelinha e queijo coalho e o tambaqui ao tucupi; e, por fim, o picadinho e o PF da Chef.
Eu, normalmente, vou direto no que há de mais extravagante, mas, dessa vez, não sei porque, fiquei tentada com o PF da Chef e com o picadinho, cujas descrições eram igualmente apetitosas, detalhistas e realmente bem parecidas. Fui de PF: arroz, feijão com bacon, farofinha não sei das quantas, banana, bife de chorizzo acebolado na chapa, ovo e batatas especiais.
Minhas amigas foram, duas-a-duas, de ravióli de lagosta ao coulis de frutas vermelhas – de fazer chorar de felicidade – e fettucine Alfredo com tornedor de filé ao molho de ostras. Quando os pratos chegaram, minha cara foi ao chão. Todo mundo percebeu quando o neon acendeu na minha testa, piscando, “pedi errado! Pedi errado!”. Em meio a um oceano de massas maravilhosas, filés e coulis, lá estava meu PF, com cara de...prato.feito. Não era isso que esperava do Zuu, sabe? Aquele prato, simplesmente, não tinha nada a ver com a elegância da casa, com a maestria dos outros pratos! Fiquei tão decepcionada encarando aquele solitário ovinho de codorna frito em cima do bifão, com aquele morrinho de arroz e uma cumbuquinha de feijão, que minhas amigas morreram de dó, mas não conseguiram esconder as caras de orgasmo ao provarem seus próprios pratos.
Respirei fundo, assumi meu erro, e mandei ver. Quando fui cortar a carne (o bife de chorizzo é um corte especial, mas que lembra a maciez relativa do contra-filé), ela estava dura, completamente dura. Estranhei, até porque o ponto de carne da casa é o francês: rosinha por dentro. Tentei um segundo pedaço, que quase entalou na minha garganta. Algo deu errado na cozinha. Pedi para chamar o gerente, Genilson, e, com base no atendimento brasiliense, já me preparei para ouvir um 'não dá', 'não é culpa da casa' ou, o pior, 'mas é para ser assim mesmo'.
Educadamente, explicamos que tudo estava impecável, com exceção da carne. O Genilson, na maior candura do mundo, pediu desculpas pelo erro da cozinha e ainda me perguntou se eu queria o mesmo prato, corrigido, ou substituí-lo por outro prato da promoção. Gente, senti aquele feixe de luz em cima de mim, enquanto anjinhos tocavam harpas ao meu redor. A carne dura foi a providência divina para eu conseguir, legitimamente, trocar de prato. Fui correndo para o fettucine, para não perder mais tempo, e estou eternamente agradecida pelo profissionalismo da casa e do Genilson. Em pouco tempo, estava saboreando a carne mais macia do universo, com uma massa al dente em perfeita harmonia com o molho Alfredo, e minha vontade no final foi de lamber o resto de molho de ostra.
Para fechar, a sobremesa – que não é meu forte – tinha o nome ideal para servir um monte de mulheres: Chocólotra. Brownie, peitit, mousse e brigadeiro quente para saciar o coração feminino.
NOTA DO BLOG: SHOW!!
DICA DO BLOG:
ravióli de lagosta, fettucine Alfredo, bobó de camarão e baião de dois.
Serviço: 210 Sul. Telefone: 3244-1039.
5 comentários

Postado por *Lulu Peters* às 16:42

5 comentários:

Mari Ceratti disse...

O suflê de goiabada com queijo (com calda quente) também vale a pena...

Déia Barros disse...

Concordo com a Mari Ceratti sobre o suflê. Mas deixo uam ressalva. Fiz o menu degustação com um grupo de amigos e pra nosso pesar a Chef não estava na casa... Indelicado servir "a viagem da Chef" sem que ela esteja na casa para partilhar com os comensais seus devaneios, a exemplos de Chefs renomados como Alex Atala e Ferran Adrià que só o fazem quando presentes.

Elpydio disse...

O queijo é o camembert, nao

*****LULUPETERS***** disse...

Elpydio,

acho até que pode ser. Mas o lance é que tanto o Brie quanto o Camembert têm aquela 'casquinha' exterior. E esse não tinha. Era quase um 'flan' de queijo, sabe? Vai ver era algo mais elaborado mesmo, feito com o Camembert!

Cinara Lobo disse...

Detestei o Zuu. Não volto lá nunca mais. O ambiente é pequeno. Não tem privacidade. A carne não tem sabor, apenas o acompanhamento. Achei um chick chato!!! sabe como é! aquela coisa de rico, para fazer tipo!!!

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